A Morte.

 
“A morte é o fim da vida, a separação da alma do corpo, á passagem da vida a eternidade. Depois da morte o corpo corrompe-se e desfaz-se em pó; mas ha de ressuscitar no fim do mundo.
A alma vai comparecer na presença de Deus para ser julgada pelas suas obras”.
 
Esta semana o falecimento de uma jovem de um dos grupos de jovens da paróquia do bairro onde moro, me pôs a pensar sobre a morte. Sobre o tão temido momento que é, para uma alma em pecado mortal, a morte, pobre de nós se viermos a morrer em tal desgraça, sem poder um dia estar diante de Deus que é o nosso primeiro, ultimo e único fim. Fez-me pensar se nós miseráveis pecadores, naquele momento em que prestamos homenagens, palavras de conforto e solidariedade para com os familiares de quem vemos falecer, expressando nossos sentimento de tristeza pelo ocorrido, de alegria em lembrarmo-nos dos momentos felizes que tivemos ao lado dessa pessoa, se tudo isso nos faz pensar apenas por um minuto na hora de nossa morte. No momento em nossa alma se separara de nosso corpo. Fez-me pensar que nós não temos a mínima ideia de qual será o momento, como e onde a morte nos assaltara, naquele momento em que teremos de prestar contas para com Aquele que nos deu com muito amor a vida, Aquele que, sem nenhum mérito nosso, nos permite viver mesmo depois de O termos ofendido profundamente com nossos pecados, Aquele que não permite que a morte ceife nossa vida em estado tão lamentável que é o pecado morta e que nos tornemos escravos eternos do demônio, porem nos miseráveis pecadores desprezamos tal graça e como filhos soberbos O ofendemos mais ainda. Tudo isto me fez recordar das sabias palavra de São João Bosco:
 
QUARTA FEIRA

O Juízo

 
O Juízo é a sentença que o salvador há de pronunciar no fim de nossa vida, sentença com a qual fixará o destino de cada um por toda a eternidade. Assim que a alma tiver saído do corpo, comparecerá logo perante o supremo juiz. A primeira coisa que torna este comparecimento terrível à alma do pecador, é que a alma se encontrará sozinha na presença de um Deus desprezado, de um Deus que conhece todos os segredos do nosso coração, todos os nossos pensamentos. E que levaremos conosco? Levaremos aquele pouco de bem ou de mal que tivermos feito durante a vida: Ut réferat unusquísque própria corporis, prout gessit, sive bonum, sive malum. Não se pode então inventar nem escusa nem pretexto nenhum. Santo Agostinho, falando deste tremendo comparecimento, disse:
 
“Quando tu, ó homem, compareceres diante do criador para seres julgado, terás sobre tua cabeça um juiz indignado; de um lado os pecados que te acusam; de outro os demônios prontos a executar a condenação; dentro de ti uma consciência que te agita e te atormenta; debaixo de ti um inferno aberto, pronto a tragar-te. Em tais apertos, para onde irás, para onde fugirás?”.
 
Feliz de ti, ó meu filho, se tiveres feito o bem durante a tua vida. Entretanto o divino juiz abrirá os livros da consciência e começará o exame: Judícium sedit, et livre apérti sunt.Então dirá aquele juiz inapelável: quem és tu? – Sou um Cristão, responderás. –Bem, replicará Ele; se és Cristão, vamos ver se procedeste como Cristão. Em seguida começará a recordar as promessas feitas no Santo Batismo, pelas quais renunciaste ao demônio, ao mundo, à carne; lembrar-te-á as graças que te concedeu, as muitas vezes que recebeste os sacramentos, as pregações, as instruções, os avisos dos confessores, as correções dos pais: Tudo será posto diante de ti. –Mas tu, dirá então o divino juiz, apesar de tantos dons, de tantas graças, oh! Quão mal correspondestes a tua profissão de cristão! Mal chegando a idade em que apenas começavas a conhecer-Me, começaste a ofender-Me com mentiras, com faltas de respeito na igreja, com desobediências a teus pais e com muitas outras transgressões dos teus deveres. Ainda bem se com o ocorrer dos anos tivesses melhorado o teu procedimento; mas não: Justamente com a idade aumentou em ti, infelizmente, também o desprezo a minha lei. Missas perdidas, profanação dos dias santos, blasfêmias, jejuns não observados, confissões mal feitas, comunhões às vezes sacrílegas, escândalos dados aos companheiros: Eis o que fizeste em vez de servir-Me.
 
Voltar-se-á para o escandaloso, cheio de indignação, dizendo: Vês aquela alma que caminha pela estrada do pecado? Foste tu, com as tuas conversas imorais, que lhe ensinaste a malícia. Tu, como cristão que és, devias ensinar com o bom exemplo o caminho do Céu aos teus companheiros; pelo contrário, traindo o meu sangue, lhes ensinaste o caminho da perdição. Vês aquela alma no inferno? Foste tu com os teus pérfidos conselhos, que a arrancaste a mim para entregá-la ao demônio. Foste tu a causa de sua eterna perdição. Agora pague a tua alma por aquela outra que deitaste a perder com os teus escândalos: Répetam anima tuam pro anima illíus.
 
Que te parece, meu filho, deste exame? Que te diz a consciência? Estás ainda em tempo, se quiseres; pede a Deus perdão de teus pecados e faze um sincero propósito de não tornar a pecar; começa desde hoje uma vida de bom cristão, preparando-te assim um tesouro de boas obras para o dia em que deverás comparecer perante o tribunal de Jesus Cristo.
 
À vista das rigorosas contas que o juiz supremo exige do pecador, tentará este abduzir alguma escusa ao pretexto, dizendo que não sabia que deveria ser submetido a um exame tão rigoroso. Mas receberá esta resposta: E não ouviste aquele sermão e aquela explicação do catecismo? Não leste naquele livro que eu haveria de pedir rigorosas contas de tudo? O infeliz então se encomendará a misericórdia divina; mas a misericórdia não é mais para ele, porque não merece misericórdia quem por tanto tempo dela abusou e porque na morte termina o tempo da misericórdia. Recomendar-se-á aos anjos, aos santos, a Maria Santíssima; e Maria responderá por todos: Agora e que pedes o meu auxílio? Não me quiseste por Mãe durante a vida e agora já não te quero por filho; já não te conheço. Então o pecador, não encontrando mais nenhum refúgio, bradará as montanhas, aos rochedos, que o cubram e eles não se moveram.
 
Invocará o inferno e vê-lo-á aberto: Inférius horréndum chaos. Esse é o momento em que o inexorável juiz proferirá a tremenda sentença: filho infiel, dirá, para longe de mim. Meu Pai celeste te amaldiçoou: Eu também te amaldiçôo. Vai para o fogo eterno a gemer e sofrer com os demônios por toda a eternidade: Discédite a me, maledíeti, in ignem aetérnum. Aquela alma infeliz, ante de afastar-se para sempre do seu Deus, volverá pela última vez o olhar ao Céu e no auge da desolação dirá: Adeus, companheiros, adeus, amigos que habitais o reino da glória; adeus, pai, mãe, irmãos, irmãs; vós gozareis para sempre e eu serei para sempre atormentado. Adeus, meu anjo da guarda, anjos e santos todos do paraíso: Não vos tornarei a ver jamais. Adeus, ó Salvador, adeus ó cruz santa, adeus, ó sangue em vão por mim derramado; não vos tornarei a ver jamais. Desde este momento eu não sou filho de Deus; serei para sempre escravos dos demônios no inferno. -Então os demônios, que se tornaram senhores desta alma, arrastando-a e empurrando-a, a farão cair nos seu abismos de torturas, de misérias, de tormentos eternos.
 
Meu filho, não receais que tal sentença seja também a tua? Ah! por amor de Jesus e de Maria, prepara com boas obras uma sentença favorável e lembra-te que como é terrível a sentença proferida contra o pecador, igualmente consolador será o convite que há de dirigir Jesus a quem viveu cristãmente. Vêm, dirá, vêm para posse da glória que te preparei, tu me serviste com fidelidade no prevê tempo de tua vida; agora gozarás eternamente:Intra in gáudium Dómine tui.
 
Meu Jesus, concedei-me a graça de poder ser também eu um desses bem-aventurados. Virgem santíssima, ajudai-me; protegei-me na vida e na morte e especialmente quando me apresentar ao vosso Filho para ser julgado.
 
Nestas poucas linhas me pus a pensar o quão terrível é a condenação ao inferno.
E este escravo de Jesus e Maria, escreve estas humildes linhas entre um coração apertado, pelas ofensas feitas ao Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, e uma noite mal dormida.

 João Bosco do Nascimento

Anúncios
Esse post foi publicado em A Morte, Dom Bosco, Fim ultimo, O Homem e a eternidade, São João Bosco, Verdades Católicas e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s