São Miguel Arcanjo.

Quem é São Miguel? 
 
Deus criou todas as coisas materiais e espirituais. O diabo e os outros espíritos malignos foram criados bons por Deus, mas tornaram-se maus por sim mesmos.” (IV Concílio Ecumênico de Latrão – ano de 1215)
 
Se alguém disse que satanás não foi criado ao princípio como anjo bom por Deus e que ele não é, pela sua natureza uma criatura de Deus, mas que ao contrário, saiu das próprias trevas e que não tem criador… que seja anátema.” (Concílio de Braga – ano de 563)
 
Creio em um só Deus, Pai onipotente, Criador do Céu e da Terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis…
Assim proclama a Igreja a sua fé em todas as Missas dos domingos e festas de guarda.
 
Antes de ter criado os homens, Deus criou os Anjos, que são espíritos puros, isto é, não compostos de matéria, embora por vontade divina, possam às vezes apresentar-se aos homens sob formas corporais.
 
O Senhor onipotente deu aos Anjos inteligência excelsa e força admirável, muito superiores às dos homens; fê-los felizes e elevou-os à grandeza de sua natureza Angélica, fazendo-os participantes da Sua vida divina e Seus filhos. Mas não os confirmou em graça nem lhes deu a posse da visão beatífica sem primeiro os experimentar por um vida de Fé. Deus, ocultou-se-lhes e provou-os, para terem oportunidade de lhes manifestar a sua fidelidade e o seu amor. Apesar desta ausência, seres livres, conhecendo a Deus e sendo amparados pela graça divina, podiam todos triunfar da prova a que o Senhor e Pai os sujeitaria. O número dos Anjos é incalculável, milhares e milhares de milhões. – Quantos? Não o sabemos.
 
As Sagradas Escrituras falam-nos de Anjos agrupados em 9 coros, a saber: Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Potestades, Virtudes, Principados, Arcanjos e os simples Anjos, que por sua vez constituem três jerarquias. A primeira jerarquia: Os Serafins, Querubins e Tronos têm por missão o serviço principal perante o Trono de Deus; a segunda jerarquia: Dominações, Potestades e Virtudes têm por missão o serviço no espaço da criação; e a terceira jerarquia: Principados, Arcanjos e simples Anjos têm por missão o serviço junto à humanidade na Terra.
 
Mais de trezentas vezes falam as Sagradas Escrituras no Antigo e Novo Testamento acerca dos Anjos e refere a sua intervenção no mundo, e a Igreja infalível, confirmou a sua crença nas palavras que a Bíblia nos transmite definindo no IV Concílio Ecumênico de Latrão a existência dos espíritos angélicos (Cap. I, d. 428) deste modo: “Deus, desde o princípio do tempo, criou do nada duas espécies de seres: os espirituais e os corporais, isto é, os Anjos e o Mundo; e depois, criou o homem que, sendo constituído de corpo e espírito, que é comum a ambos os seres.”
 
Os Anjos, embora felizes totalmente, filhos de Deus e por Ele muito amados, não são todos iguais. Estão constituídos de modo a darem glória ao Senhor e Pai onipotente, ao Deus Uno e Trino, servindo-O e amando-O como Ele os determinou.
 
Tal como nós os homens, antes de possuirmos a Deus para sempre no Céu, na visão beatífica, temos de O servir e amar neste mundo, na noite de fé, e só depois, como prêmio da nossa fidelidade, receberemos o dom da confirmação em graça; assim também os Anjos foram experimentados e sujeitos à prova da fé durante um tempo, para depois, como prêmio, receberem a fruição eterna de Deus Uno e Trino na visão beatífica, confirmados na graça.
 
Infelizmente lúcifer, do Coro dos Serafins, o mais belo dos Anjos, o que fora destinado por Deus para comunicar a luz divina a toda a Criação, não permaneceu fiel, revoltando-se contra o Senhor. Desvanecido com os dons de que fora revestido e cheio de orgulho e vaidade, arrastou nesta revolta uma parte dos seus companheiros, caindo alguns, de todos os nove coros.
 
Eis como o profeta Isaías narra a queda de lúcifer, anjo da luz, que por revolta se transformou em satanás, anjo das trevas: 
 
Como caíste lá dos céus, astro da manhã, filho da aurora! Exclamavas em teu coração: ‘Escalarei os céus e acima das estrelas de Deus assentarei o meu trono. Remontar-me-ei ao mais alto das nuvens. Serei semelhante ao Altíssimo…’. E eis-te precipitado no inferno, na profundidade dos abismos” (Is 14, 12-15).
 
Alguns teólogos tentam explicar a queda de lúcifer e a sua revolta, pelo orgulho, por ter o Senhor lhe revelado que um dia Ele próprio na Sua Segunda Pessoa viria à Terra e se uniria hipostaticamente à natureza dos homens, fazendo-se um deles e como eles. Não tomaria a natureza Angélica, mas a natureza humana, em si inferior à Angélica, e lúcifer e os outros anjos adorariam e serviriam esta natureza humana, assumida pela Divindade, dada por uma criatura excelsa, a Virgem Maria, e tudo dependente do seu “Fiat”, o seu “Sim”, e que estes A serviriam como sua Rainha e Senhora. O amor de Deus pelos homens seria tal, que Ele viria fazer-se um deles para lhes servir de modelo, pois dizem os mesmos teólogos, (…) que ainda que Adão e Eva não pecassem, o Filho Unigênito de Deus se faria Homem para lhes manifestar o Seu amor e como causa eficiente dos seres e da graça.
 
Com esta revelação terminaram os laços que prendiam lúcifer a Deus.
 
O orgulho e o ciúme desesperaram-no.
 
“Não servirei!” – gritou. A sua inteligência e o seu poder de sedução arrastaram atrás de si muitos outros anjos que igualmente se revoltaram. Ao darmos crédito às célebres revelações de Maria Valtorra, a grande mística italiana, falecida há poucos anos e já com processo de beatificação na Cúria Romana, Nosso Senhor ter-lhe-á dito: “Minha filha, lúcifer era o mais belo dos anjos, espírito perfeito, só inferior a Deus. Nos seu ser de luz nasceu um vapor do orgulho que ele não dissipou, mas pelo contrário, o condenou. Desta incubação nasceu o mal. Ele existia antes que o homem existisse. Deus tinha precipitado fora do Paraíso o maldito que tinha dado origem ao mal, que tinha profanado o Paraíso. Mas ele ficou o eterno incubador do mal e, não podendo mais profanar o Paraíso, emporcalhou a Terra. Esta árvore simbólica (a árvore da ciência do bem e do mal, descrita na Bíblia) serve para demonstrar esta verdade.” Deus tinha dito ao homem e à mulher: “Vós conheceis todas as leis e mistérios da criação. Mas não usurpeis o meu direito de ser o Criador do homem. Para propagar a raça humana será suficiente o Meu amor que circulará em vós e sem a luxúria, unicamente pelo movimento da caridade. E dou-vos tudo. Não me reservo senão este mistério, o da formação do homem”.
 
Quando do grito de revolta, lúcifer arrastou muitos dos seus companheiros, a terça parte, como diz o livro sagrado do Apocalipse por estas palavras: “Eis que apareceu no céu um grande dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres e sobre as cabeças sete diademas. A sua cauda varreu a terça parte das estrelas do céu e lançou-as sobre a Terra… Eis que se travou uma grande batalha no céu: Miguel e os seu Anjos pelejavam contra o dragão e este pelejava também com seus anjos. Mas estes não prevaleceram e não houve mais, no céu, lugar para eles. O grande dragão, a antiga serpente, o diabo ou satanás como lhe chamam, o sedutor do mundo inteiro, foi precipitado na Terra juntamente com os seus anjos (Ap. 12). Lúcifer gritou: “Não servirei!” Miguel, cheio de humildade e amor, proclamou: “Amigos, quem é como Deus?!”
 
De um lado, consumam-se o orgulho, a vaidade e o ciúme; de outro, a humildade, o amor e a submissão. Ambos os chefes foram seguidos. Deus cria o inferno e nele são precipitados por Miguel, o amigo de Deus, o Anjo fiel e confirmador dos seus irmãos na fidelidade do Altíssimo,lúcifer e todos os anjos rebeldes. Os anjos bons e fiéis, com Miguel, são então confirmados em graça e felicidade eternas e, embora livres, usarão de tal modo a sua liberdade que nunca poderão pecar; consumados no Amor de Deus entram na bem-aventurança eterna, na fruição de Deus, na eterna alegria. São Miguel, que era um Anjo do oitavo coro, é promovido por Deus pela sua fidelidade e torna-se chefe das milícias angélicas, o principal entre os primeiros, como diz o Livro de Daniel (Cap. 12).
 
Lúcifer e os seus seguidores ficarão perpetuamente desgraçados, sem remissão possível: só saberão odiar, praticar e sugerir o mal. Os anjos bons só poderão amar, praticar e sugerir o bem. Deus, em Seus secretos desígnios, conservará, no entanto, aos anjos rebeldes grande inteligência, poder e vários dons da sua natureza e servir-se-á deles, para provação e santificação dos bons. Estes, se buscarem a força do Senhor pela oração e os sacramentos, sairão triunfantes e o próprio diabo, com o seu mal, será o instrumento que os ajudará a alcançar a eterna felicidade.
 
É bom lembrar o seguinte: se é certo que o diabo os seus seguidores, por serem anjos, são superiores a nós em inteligência e força, é certo que não passam de simples criaturas: estão nas mãos de Deus, precisando a todo instante que Ele os mantenha na existência; só podem fazer o que Deus dá permissão e na medida em que a dá; não os podemos vencer com as nossa forças naturais, mas podemos vencê-los com a força do Senhor, unido a nós pela graça sobrenatural. Tão fortes para quem não está com Deus, tão fracos para quem invoca o Senhor! Não temamos, pois! Não esqueçamos o que diz São Tomás de Aquino, o príncipe dos teólogos: “Qualquer Anjo bom, inferior na ordem da natureza, sobreleva os demônios na mesma ordem natural, porque a virtude da justiça Divina sobre a qual estão firmados os Anjos bons é superior à virtude natural dos anjos maus”. 
 
No Inferno só há ódio e desespero. Os demônios obedecem todos ao seu chefe, mas todos o odeiam e se odeiam entre si; só se unem para fazer o mal, mas são imensamente desgraçados, e o mais desgraçado e quem mais sofre é lúcifer – o pai da mentira, das revoltas e fomentador das guerras.
 
Uma santa assistiu um dia um diálogo entre satanás e Deus. 
 
Lúcifer apareceu chorando e gritava: “Amas tanto os homens, eles pecam e ofendem-Te tantas vezes e Tu perdoa-lhes sempre; e a mim, desgraçado, que só Te ofendi uma vez, não me perdoaste e condenaste-me perpetuamente à desgraça e ao desespero…”
 
O Senhor replicou: – “E tu pediste-me perdão?” Pedir perdão?! Tal não fez satanás em seu refinado orgulho. e o orgulho, como o de lúcifer, cega. Dizem vários teólogos que muitos dos homens são destinados a ocupar no Céu o lugar que Deus destinara aos anjos caídos; uma parte da humanidade que se salvar ocupará no meio dos coros Angélicos, os lugares perdidos pela terça parte dos anjos rebeldes.  Não será por isso que a Cruz de muitos é tão grande? São homens e são chamados a dar no Céu a Deus, uma glória humana-angélica.
 
A ser verdade o que vem num livrinho com aprovação eclesiástica, intitulado: “Padre Pio fala ao Mundo”,este teria aparecido depois da morte a um dos seus filhos espirituais e disse-lhe: “Estou no meio do coro dos Serafins, junto do meu pais São Francisco”. Quer dizer que ambos terão ocupado os lugares de dois Serafins perdidos.
 
Fonte: Grupo São Domingos de Gusmão.
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