Onde não há ódio à heresia, não há santidade.

“… para isto vim ao mundo, para
dar testemunho da Verdade”
(Jo 18, 37)
Padre Frederick Faber
(século XIX)

”Se nós não odiamos o pecado como Ele há de tê-lo odiado, puramente, virilmente, deveríamos fazer mais penitência, deveríamos infligir-nos mais castigos, deveríamos sentir pesar por nossos pecados com mais constância. Logo, uma vez mais, a suprema deslealdade a Deus é a heresia. É o pecado dos pecados, a mais repugnante das coisas que Deus despreza neste mundo maligno. No entanto, quão pouco compreendemos seu excessivo caráter odioso! É a profanação da Verdade de Deus, a pior de todas as impurezas.

No entanto, quão pouca importância damos a ela! Nós a vemos, e permanecemos calmos. Nós a tocamos, e não estremecemos. Nós nos misturamos com ela, e não temos temor. Vemos que toca as coisas santas, e não temos senso do sacrilégio. Respiramos seu cheiro, e não damos sinal de aborrecimento ou repugnância. Alguns de nós aparentam sua amizade; e alguns até atenuam sua culpa. Nós não amamos a Deus o suficiente para preocupar-nos com Sua Glória. Nós não amamos o suficiente os homens para sermos verdadeiramente caridosos com sua alma.
Perdido o tato, o paladar, a visão e todos os sentidos da consciência celestial, nós podemos morar no meio dessa praga odiosa com tranquilidade imperturbável, reconciliados com sua vileza, não sem algumas profissões jactanciosas de liberal admiração, talvez até com mostra solícita de simpatia tolerante.
Por que estamos tão abaixo dos antigos santos, e até dos modernos apóstolos destes últimos tempos, na abundância de nossas conversas? Porque não temos a antiga austeridade. Carecemos do espírito da velha Igreja, do antigo gênio eclesiástico. Nossa caridade é falsa, porque não é severa; e é pouco convincente, porque é falsa.
Nós carecemos de devoção à Verdade como Verdade, como Verdade de Deus. Nosso zelo pelas almas é débil, porque não temos zelo pela honra de Deus. Nós agimos como se Deus se agradasse das conversões, quando são almas trementes resgatadas por um excesso de misericórdia.
Nós dizemos aos homens metade da Verdade, a metade que mais convenha à nossa própria pusilanimidade e vaidade; e depois nos assombramos com que tão poucos se convertam, e com que desses poucos tantos apostatem.
Nós somos tão fracos, que nos surpreendemos com que nossas meias verdades não consigam tanto quanto as verdades integrais de Deus.
Onde não há ódio à heresia, não há santidade.”

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